Valoração ambiental - Instituto Brasileiro de Sustentabilidade

Valoração ambiental: Como estimar valor para a natureza?

Uma das maiores discussões na área ambiental é estimar o valor econômico de um indivíduo ecossistêmico ou de um serviço ambiental. Por exemplo, se você for dono de uma árvore adulta do tipo pau-brasil e plantada em seu jardim. Em um caso hipotético, se você recebesse uma proposta de compra dessa árvore no valor de R$ 1.520,00, você a venderia, esse valor seria suficiente? Agora, imagine o contexto histórico: a árvore foi plantada no dia do seu nascimento e pelo seu avô, já falecido. O valor oferecido, seria suficiente para pagar o que a árvore vale para você? O mesmo ocorre quando se trata de uma árvore de uma espécie nativa em uma reserva de mata-atlântica, se ela fosse extraída ilegalmente por madeireiros, qual o valor da multa que deveria ser aplicada?

Uma ferramenta justa

Para esse tipo de problema, a Valoração Ambiental se torna uma ferramenta eficaz já que fornece respostas que não se baseiam em métodos empíricos, mas que leva em consideração diferentes pontos de vista e estabelece equações para que as definições de valor possam ser aplicadas coerentemente.
Após o avanço dos estudos da área de economia sustentável, a chamada economia verde, este tema ganhou força visto que há crescente busca por equilibrar o desenvolvimento econômico com o meio ambiente garantindo o desenvolvimento sustentável.
O valor econômico de um recurso natural pode ser identificado com a observação de todos os seus atributos e que podem, ou não, estarem associados a um uso. Outra forma de atributos são os associados apenas à existência do recurso, independentemente do fluxo de bens e serviços atuais e/ou futuros.
Assim, matematicamente, pode-se determinar o Valor Econômico do Recurso Ambiental (VERA) matematicamente pela equação:

VERA = (VUD + VUI + VO) + VE

Onde:

– Valor de Uso (VU) e Valor de Não Uso (VNU), podem ser subdivididos em Valor de Uso Direto (VUD), Valor de Uso Indireto (VUI) e Valor de Opção (VO), que são definidos como:
Valor de Uso Direto (VUD) – É a utilização direta de um recurso natural, como, por exemplo, a extração de minérios, o corte de árvores, ou seja, a retirada e utilização imediata do recurso.
Valor de Uso Indireto (VUI) – Refere-se às inter-relações ecossistêmicas, ou seja, as interações naturais que já acontecem na natureza sem dependência do consumo humano para existir e produzir o recurso natural.
Valor de Opção (VO) – É quando se atribui valor a um recurso natural que poderá ser usado direta ou indiretamente no futuro e, por isso, precisam ser preservados.
Valor de Não Uso ou Valor de Existência (VE), que se refere ao valor dado a locais e seres vivos que não serão usados pelo homem direta ou indiretamente, como a existência de animais, de micro-organismos, ou de áreas como desertos e geleiras, onde a maioria das pessoas nunca estará ou se beneficiará do seu uso.

Dessa forma, a combinação dos diferentes valores que compõem bens tão complexos e necessários como os ambientais podem ter seu valor total traduzido para a moeda corrente.

Até a próxima!


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Postado em Desenvolvimento Sustentável e Mobilidade Urbana.

Ana Carolina de Moraes Luccarelli

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Mestre em Engenharia de Transportes pelo IME e bacharel em Engenharia Ambiental pela Puc-Campinas, desenvolveu suas qualificações nas áreas de Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Tráfego e Relatórios de Sustentabilidade tendo como atribuição comunicação com stakeholders, acompanhamento de projetos para licenciamento ambiental e projetos de responsabilidade sócioambiental. Na carreira docente, foi educadora voluntária no Projeto Formare da IP, docente de graduação para disciplinas de Meio Ambiente no CNEC e de EaD em MBA em Gestão Ambiental na Kroton. Atua como Consultora Ambiental e de Transportes na A Consultoria Ambiental. Campinas - SP.