Sustentabilidade, ESG empresarial

Sustentabilidade corporativa é mais maturidade do que ambientalismo

Quando falamos de sustentabilidade, imagino que uma das primeiras coisas que vem a sua cabeça seja o Greenpeace intervindo em pesca inapropriada, ou ambientalistas abraçados a arvores a fim de evitar desmatamentos. Esse movimento tem sido algo importante para mudar a visão do mundo sobre prosperidade e produtividade, mas hoje em dia, a sustentabilidade é muito mais moderna e incisiva do que essas ações realizadas no passado, que começaram a ter um papel forte em oposição a metodologia de revolução industrial principalmente após o lançamento do livro de Rachel Carson, primavera silenciosa publicado em 1962 (o qual se você não leu, sugiro que leia), porém, hoje é claramente percebido que a sustentabilidade não se trata mais de oposição e execução e sim de consciência e maturidade.

Entender a sustentabilidade corporativa como um plano de gestão é a forma de interpretar essa modernidade que visa somar o interesse de três pilares como objetivo (ambiental, social e econômico). Essa implementação não é simples e requer o desenvolvimento de muitas atividades internas nas empresas de qualquer tamanho, porém, o primeiro ponto a ser avaliado é a condição de maturidade da gestão empresarial relacionada aos temas, para desenvolver os planos para o futuro. Essa maturidade corporativa é dividida em cinco fases e suas etapas devem ser respeitadas, a fim de obter melhor eficiência na implementação dos projetos de melhoria.

Fase 1 – Reativa: Todas as ocorrências são inesperadas, não gerenciadas e todas as ações de sustentabilidade são realizadas quando o problema já ocorreu. Essa gestão é formada por pura adrenalina, pois cada dia é uma surpresa.

Fase 2 – Gerenciada: As ocorrências nessa fase são controladas, medidas e as metas atendidas. Existe planejamento, execução, medição e controle.

Fase 3 – Esclarecida: Nessa fase, todos os processos existentes são mapeados, caracterizados e entendidos. Tudo está descrito em padrões, métodos, controles e procedimentos. A sustentabilidade passa a ser vista no dia a dia da empresa como novidade e as pessoas buscam atuar no tema.

Fase 4 – Preventivo: Essa etapa é caracterizada pela existência da gestão de riscos corporativos, e do monitoramento de possíveis ocorrências. Nessa etapa, raramente fogem acontecimentos do script e quando ocorrem, existem planos previstos antecipadamente e clarificados para todos de como agir. Nessa etapa, as empresas costumam se destacar no tema sustentabilidade, pois é percebido externamente um plano de gestão coeso.

Fase 5 – Otimizado: Nessa ultima fase, você tem uma empresa com uma gestão de excelência. Além de ter seus processos com riscos geridos e um planejamento estratégico robusto, a melhoria contínua funciona como uma demanda natural, onde todo processo por si só é fruto de ser estudado e melhorado. Esse perfil de empresa está sempre estampando as capas de revista, pois tem pioneirismo nas atividades sustentáveis sem requerer muito esforço.

Essas fases de maturidade devem ser mapeadas e os projetos de implementação de uma cultura de sustentabilidade corporativa devem respeitar o momento da empresa, visto que, implementar um projeto que necessite de mapeamento contínuo de riscos em uma empresa que está com um grau de maturidade reativo, exigirá muito esforço, existirá pouca aderência e o projeto perderá força ao longo do tempo.

Ao evoluir a maturidade empresarial para implementar os programas de sustentabilidade, você automaticamente melhora seus resultados, qualidade dos produtos, saúde e segurança de seus funcionários e aprimora a eficiência da sua liderança.


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Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em Educação, Saúde e Segurança do Trabalho, Sustentabilidade Empresarial e MBA em Gestão Empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, na qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e “Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvimento pessoas”, e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão, sustentabilidade, gestão empresarial e corporativa em revistas e páginas técnicas na área.