Reciclagem empresarial do vidro

Nota-se que a preocupação com a reciclagem sempre foi centrada nos plásticos, papéis, papelões e metais ferrosos. Ainda há o vidro, que tem o processo mais simples e integral e o Brasil começa a descobrir isso.

A reciclagem do vidro (Figura 1) é o que se pode chamar de infinita, ou seja, sem perda, garrafa gera garrafa, copo gera copo etc. A matéria-prima desse é a areia e água. Entretanto, ao se produzi-lo a partir do reaproveitamento, a poluição envolvida é bem menor. Isso contribui substancialmente com a preservação do meio ambiente. Nesse processo, se economiza energia (reduz-se essa em 2.9%) e matéria-prima; diminui-se as emissões de poluentes; melhora-se os processos industriais; e ainda se gera empregos.

Figura 1 – Produção do vidro novo e o reciclado

Fonte: Engenha Frank WEB

Apesar disso, o que se nota é que apenas 30% dos cacos das embalagens de vidro retornam às fábricas. Enquanto os números apontam que o Brasil produz por ano em torno de 1,3 milhão de toneladas desses invólucros.

Sabe-se ainda que a reciclagem é um esforço da sociedade como um todo. Na do vidro, estão envolvidos, precipuamente, os seguintes atores que devem estar engajados no decorrer da cadeia, a saber:

  • fabricantes e envasadores – os quais precisam se prepararem para receber o material para esse reaproveitamento;
  • comércio – que deve participar ativamente da coleta seletiva, principalmente, no tocante da separação, de preferência por cor;
  • instância municipal – a qual deve melhorar a sua legislação neste tocante;
  • cidadão – que deve ser mais consciente, sensível e educado para a seleção do material a ser coletado de forma seletiva e ser descartado igualmente de forma eficiente.

Também devem estar qualificados e profissionalizados as cooperativas de catadores; as startups para esse fim e as empresas com logística reversa. Dessa forma, tem-se consciência de que o processo de reciclagem do vidro envolve as etapas/atores presentes na figura 2.

Figura 2 – Processo de reciclagem do vidro

Fonte: Portal Resíduos Sólidos

Observa-se, assim, que o reaproveitamento desse tipo de material se inicia, principalmente, com a educação e conscientização dos donos de bares e restaurantes, bem como a administração de condomínios, os quais devem ser sensibilizados para aderirem a coleta seletiva do vidro.

O que se sabe, todavia, é que mais de 60% das bebidas alcoólicas são consumidas em bares e restaurantes e 80% das embalagens de bebidas são feitas em vidro. Além disso, estes estabelecimentos não podem descartar este tipo de material à noite por causa do barulho. Dessa maneira, a coleta seletiva vinculada à algum ator será sempre uma vantagem para esses locais.

A meta das empresas fabricantes de vidro é que, até 2025, 50% da produção desse use cacos reciclados. Atualmente, o percentual utilizado gira em torno de 40%.

Passemos, a seguir, aos exemplos empresariais prósperos e que devem ser seguidos.

Coleta Seletiva

Um exemplo exitoso a ser abraçado é o da empresa Green Ambiental. Essa implantou 14 coletores seletivos de vidro em Brasília. Como o DF não tem usina de reciclagem de vidro e produz, em média, 150 toneladas por dia, o resíduo dos contêineres é encaminhado para uma usina localizado no Rio de Janeiro. A Green também fez convênio com 60 restaurantes e 24 cooperativas de reciclagem que trabalham focadas no reaproveitamento do vidro.

Logística Reversa

Outro exemplo bem-sucedido é o do Projeto Glass is Good. Possui convênio com cooperativas, bares e restaurantes, garantindo a logística reversa das embalagens de vidro. É uma iniciativa nacional do setor de bebidas alcoólicas. 37 empresas já aderiram a esse programa, gerando rendimentos para aproximadamente 500 operários em 6 estados brasileiros. Contudo, possui como principal desafio o de engajar os atores envolvidos no processo para diminuir custos e distâncias.

Reciclagem de Lâmpadas

Inovadora também é a iniciativa da Tolevidro, uma empresa que recicla lâmpadas florescentes, detendo o certificado de destinação correta, uma vez que tritura e descontamina esse tipo de descarte.

Teve como origem um acidente acontecido, em 2003, com o seu proprietário, Elton Baumgarten. Esse ficou 62 dias na UTI ao cortar a cabeça com uma lâmpada e, através dessa perfuração, ter contato com 70% do mercúrio existente naquela. Disso, teve a ideia do empreendimento.

Para reaproveitar o vidro (e os outros materiais) que compõem as mencionadas lâmpadas, o dono inventou uma usina móvel (UM) que consegue requalificar até 12 mil lâmpadas por dia.

Por ser proibido transitar em rodovias com esse item, a UM descontamina as lâmpadas antes de enviar o material para a reciclagem propriamente dita. Essa UM ainda separa o mercúrio, o vidro, o alumínio e o pó em 3 filtros: o gasoso, o líquido e o sólido.

A Tolevidro chega a produzir 5 usinas móveis por mês para os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O que se percebe, neste nicho, é que 200 mil lâmpadas recicladas dão origem a 2 quilogramas de mercúrio que depois são descartados corretamente. Isso contribui, substancialmente, com o meio ambiente e evita acidentes com pessoas. Igualmente o material reciclado vira insumo para a construção civil e as processadas saem de 0,60 para 1,6 por quilo.

Por todo o exposto, comprova-se que esse é um mercado promissor, total e ambientalmente responsável, devendo-se enfocar com mais cuidado e dedicação para a reciclagem do vidro. Então, mãos à obra…


Gostou? Compartilhe agora mesmo!

Pós-doutora em Ciências da Comunicação (Nova de Lisboa); doutora e mestra em Letras (UFBA); bacharela em Relações Públicas (UNIFACS); professora adjunta (UNIFESSPA); pesquisadora e líder do Grupo de Pesquisa ComDes (CNPq); atuou como consultora de Comunicação e Transparência Empresarial.