Os perigos do crescimento da população mundial

Recentemente noticiou-se em todos os meios de comunicação que a ONU afirmou, simbolicamente através do nascimento de um bebê, que a população mundial já chegara à casa dos sete bilhões de indivíduos. De fato, estritamente analisando a notícia, não há nenhuma surpresa quanto a isso, uma vez que a atual geração já tinha consciência da certeza na ocorrência de tal fato e convive com o alto número de indivíduos e com as constantes taxas de variação positiva do número de pessoas na Terra.

Uma pessoa que nasceu com o mundo já contendo mais de seis bilhões de terráqueos não ficará espantada com tal afirmação da ONU, pois a gigantesca população já faz parte de sua realidade, e o crescimento acelerado da população mundial se tornou uma constante em sua vida.

Todavia tal fato, por mais que fosse esperado, remete a uma análise detalhada do crescimento populacional mundial, uma vez que os recursos naturais responsáveis pela vida na Terra, pelo fornecimento de alimentos, vestimentas, insumos energéticos, etc, encontram-se em constante diminuição,  ao passo que a demanda por seus benefícios cresce de forma gigantesca com o passar dos anos.

A humanidade, desde a idade dos Sumérios, considerada a primeira civilização da Terra, que viveu a cerca de 3000 A.C., levou aproximadamente de 4.800 anos para atingir seu primeiro bilhão de pessoas, por volta de 1800.  Tal tempo de crescimento não se repetiu novamente, sendo necessário apenas 125 anos para que a população novamente dobrasse de tamanho, atingindo por volta de 1925 o quantum  de dois bilhões de humanos viventes. O terceiro bilhão foi atingido apenas cerca de 35 anos depois, por volta do ano de 1960.

Tomando como referência o ano de 1950, onde, por lá, a população que habitava o mundo totalizava em torno de dois bilhões e meio, denota-se que, desde que se tem conhecimento da vida humana em sociedade até o ano de 1950, a população mundial, passando por crescimentos e regressões, atingiu o número de dois bilhões e meio de pessoas. A partir daí, até o ano de 2011, a população  cresceu em torno de 4,5 bilhões de pessoas. Isso em apenas 61 anos, o que dá uma média de crescimento anual de 75 milhões de pessoas, ou seja, mais de 200 mil natalidades por dia, lembrando que daí já estão descontadas os falecimentos.

Após a Segunda Guerra Mundial grandes políticas de saúde pública e prevenção de doenças foram implantadas em inúmeros países, programas sociais de ajuda mútua e desenvolvimento de áreas sub-humanas, investimentos em pesquisas e desenvolvimento de novas soluções para problemas que afetavam a vida de pessoas, cura de doenças, um maior acesso à informação por parte da sociedade, a consequente redução da mortalidade infantil e a majoração da expectativa de vida, dentre muitos outros fatores, foram os responsáveis pelo estrondoso crescimento do número de pessoas na Terra.

Alguns países, como por exemplo a China, já estão adotando políticas de contenção de crescimento populacional, através de medidas aplicadas ou até mesmo impostas à população, como a imposição de restrições a casais quanto ao número máximo de filhos.
Inúmeros países sofrem com problemas locais de crescimento desenfreado da população em detrimento a seus recursos naturais e à distribuição territorial de tais pessoas. A supra-citada China é um exemplo corriqueiro, mas não único. Pode-se citar também outro gigante populacional em constante crescimento demográfico: A Índia. Além de ambos, vê-se também países com altos índices de densidade demográfica, como Singapura, Coreia do Sul e Japão.

Uma das consequências primárias do crescimento exorbitante da população mundial será a falta de insumos e recursos naturais que sustentam a vida.  Se continuado tal nível mundial de crescimento, a população atingirá números onde a demanda por produtos básicos à sadia qualidade de vida e até mesmo à vida em si, será muito maior do que a oferta, ou seja, a capacidade produtiva de determinadas regiões, aliada à má distribuição, acarretará uma extensa crise por recursos básicos até então jamais vista.

O que acontecerá poderá se converter em caos ambiental e humano sem precedentes. Uma vez instalada a falta, buscando-se sanar a necessidade, a qualidade do meio ambiente será ainda mais degradada pelo homem.

Com a severa necessidade, o homem irá de forma cada vez mais invasiva e desesperada tentar extrair do meio ambiente a solução para seu grave problema. Como a demanda é maior que a oferta, a natureza não fornecerá insumos suficientes, o que fará que ser humano novamente, invasivamente atue e danifique ainda mais o meio, que então responderá com ainda menos eficiência, e assim sucessivamente, gerando um ciclo cada vez mais destruidor e de difícil reparação.

O problema se tornará sustentado por dois fatores simples de uma equação: oferta de recursos por parte do meio ambiente, e a procura por tais recursos pelo homem. Atualmente, em termos práticos e numéricos, se analisada a oferta de recursos essenciais à vida, como os alimentos produzidos no mundo, tem-se que a demanda é menor do que a oferta, ou seja, se fossem somados todos estes alimentos e divididos pela necessidade,  satisfatoriamente sanar-se-ia a fome em todo o planeta. Aqui, não são levados em conta problemas como a má distribuição, apenas faz-se um paralelo da quantidade produzida com o número de pessoas existentes (necessidade, demanda).

Todavia o que pode ocorrer é a inversão de tais fatores, ou seja, muito mais pessoas com fome que capacidade produtiva mundial poderia alimentar.

A situação se agrava ainda mais se somar-se tal deficiência produtiva a fatores sociais como a má distribuição de alimentos, a qual já existe em grande escala nos dias de hoje, apesar da produção alimentar ser superior às necessidades humanas. Se atualmente a desigualdade e as diferentes e precárias formas de distribuição de recursos já possuem elevados níveis de incidência pelo globo, em uma realidade onde o meio ambiente fornece satisfatoriamente meios de subsistência, imagine então a que patamar chegará a condição de vida humana na eventualidade da manifestação real da falta.

O aumento da população mundial não é somente um problema habitacional ou social. É também um problema ambiental, uma vez que as necessidades humanas interferem diretamente no meio ambiente e em suas inter-relações; proporcionalmente ao seu aumento, crescem também as lesões e danos ao equilíbrio ecológico regional e mundial.

E, em matéria ambiental, assim como inúmeras outras do cotidiano, não adianta falar em melhorias sem ação. A teoria não irá salvar a qualidade ambiental. São necessárias políticas efetivas e eficientes em todos os âmbitos sociais buscando-se primeiramente educar e prevenir.

A educação é o carro chefe que irá determinar o futuro do meio ambiente e da saúde humana na Terra. Muito melhor é ter a preservação pela consciência que por temor a uma sanção.

A priori, necessárias são medidas que busquem nivelar ao máximo a distribuição de recursos entre os povos, evitando que em determinadas regiões do globo algum elemento abunde em meio à sociedade, enquanto em outro lugar, a necessidade e a inexistência de tal elemento iniba determinado processo social benéfico.

Muito além de problemas locais e nacionais, a distribuição correta de recursos é uma problemática mundial e assim deve ser tratada. Uma nação que tenha abundância em determinado recurso não deve se privar em estabelecer meios a fim de que haja possibilidades de acesso a tais elementos por países que até então sofrem com sua inexistência.

A distribuição correta de recursos, e principalmente alimentos, deve ser encarada como uma forma de se evitar o caos humano em um futuro próximo, uma vez que, querendo ou não, na situação atual em que se encontra a humanidade, a população cresce cada vez mais e, em contrapartida, processos e políticas efetivas de democratização em âmbito mundial da distribuição de insumos e elementos necessários à vida estão cada vez mais concentrados nas mãos de poucas nações em detrimento de outras que se distanciam cada vez mais da realidade ideal à uma sociedade equilibrada, mundialmente saudável e fraterna.

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