Mudança climática

O que é migração climática?

Migração climática é uma estratégia de adaptação da humanidade em que pessoas são obrigadas a deixar suas casas/cidades devido a desastres ambientais. Dentre os motivos que levam as pessoas a abandonarem seus lares pode-se citar a desertificação, a subida do nível dos mares, terremotos, furacões, secas extremas, entre outros.

Os eventos climáticos extremos têm ocorrido de maneiro cada vez mais frequente e com isso é esperado que ao longo dos anos, milhões de pessoas sofram com os efeitos das mudanças climáticas. Essa tendência afetará de maneira drástica a produção de alimentos, a quantidade de água disponível, o crescimento da economia e a nossa saúde. Além disso, é sabido que alguns países sofrerão mais que outros com esses efeitos e que a busca por asilo ocorre, principalmente, entre países europeus.

De acordo com relatório publicado pela agência de refugiados da ONU, foi estimado que mais de 18,8 milhões de pessoas migraram devido a desastres ambientais apenas em 2017. O efeito das mudanças climáticas é de intensificar conflitos por recursos que já estão escassos ou esgotados e destacar situações de fragilidade ao redor do mundo.

O relatório aponta que na maioria dos casos as pessoas que são obrigadas a se deslocar são as mais pobres entre os pobres. Em Bangladesh, muitas pessoas perdem suas casas devido ao aumento do nível do mar. Por isso, essas pessoas são obrigadas a se deslocar para cidades como a de Cox’s Bazar. Essas pessoas não possuem condições de comprar terras e acabam sendo obrigadas a construir abrigos temporários em praias do governo como é possível ver na figura abaixo (retirada do relatório).

Mas os exemplos não se encontram apenas afastados do contexto brasileiro. A comunidade Nova Enseada localizada na Ilha do Cardoso em São Paulo, em 2016, passou por uma ressaca intensa que reduziu a largura da faixa mais estreita de terra da ilha de 23 para 2 metros. Nesse momento as pessoas que ali viviam começaram a se organizar para deixar o local. Já em 2018 a comunidade foi completamente extinta quando, em 20 dias, o mar cobriu os 600 metros de terra restantes.

Existe grande incerteza do que a migração climática pode significar no futuro. Os possíveis cenários serão resultados da interação entre clima, economia, politica, demografia e outros fatores sociais.  Apesar dos estudos nesse sentido estarem avançando, não há ainda uma abordagem teórica unificada que represente a relação entre mudanças climáticas e migração.

Assim, pensar em mudanças climáticas é pensar nos impactos ao planeta mas também em como os mais vulneráveis serão ainda mais afetados. Essas discussões devem se fazer mais presentes do que nunca visto o destaque que a pandemia, causada pelo covid-19, tem trazido a desigualdade que existe no mundo.

Alcançar o equilíbrio ambiental só será possível com drásticas mudanças nos sistemas em que vivemos!! Qual é o nosso papel como indivíduos nesse contexto?  Em outra oportunidade voltaremos a falar desse assunto.

Seguimos,

e até a próxima!

Referências

https://www.nature.com/collections/dagebcjjai

https://www.unhcr.org/protection/environment/596f25467/unhcr-climate-change-disasters-displacement.html?query=report

https://www.youtube.com/watch?v=UsG3o5ndjaU


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Postado em Mudanças Climáticas e Sustentabilidade.

Graduada em Engenharia Florestal pela UFRRJ, mestre em Ciências Ambientais e Florestais pela UFRRJ e doutoranda em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.