Cop26

O impacto nas empresas das metas brasileiras na COP26

O Brasil entrou na COP26 sob todos os olhares mundiais. Diante de situações polêmicas frequentes, que vão desde as queimadas na Amazônia, até o fato de assim como os EUA não ter assumido compromissos quanto ao clima no acordo de Paris, a comitiva brasileira entrou na COP26 sob a expectativa de não assumir novos desafios relacionados ao tema.

 

Um pouco diferente do que era esperado, o Brasil aumentou a agressividade das metas que foram declaradas pelo presidente Jair Bolsonaro na cúpula do clima e desenhou um futuro nacional que dependerá de envolvimento e regulação direta do governo para o cumprimento. O ponto maior da discussão dessas metas é o quanto elas podem impactar o meio empresarial e como ele deve se preparar para as prováveis políticas e normas, que deverão ser implementadas em um futuro próximo no território nacional.

 

Redução das emissões dos GEE´s e neutralização:

Na cúpula do clima, o presidente Jair Bolsonaro havia declarado o objetivo de alcançar a neutralidade das emissões líquidas dos Gases de efeito estufa em 2060, porém, o ministro do meio ambiente durante a COP-26, informou que o Brasil está declarando novos objetivos no tema com redução do prazo para alcançar a neutralidade dos GEE´s para 2050 e ainda, um compromisso de reduzir 50% das emissões até 2050. O impacto desse compromisso nas empresas deve ser algo direto. É muito provável, que nos próximos anos a obrigatoriedade do inventário dos GEEs seja uma realidade e ainda que as empresas se responsabilizem por neutralizar parte ou toda a emissão gerada pelas suas operações. Essa medida deve ser gradativa, porém, com o provável crescimento de demanda, os créditos de carbono devem ganhar um mercado promissor por ser um meio mais rápido e prático para buscar essa neutralidade.

 

Zero derrubada ilegal de matas nativas até 2028:

Uma meta ainda mais arrojada foi a de zerar a derrubada ilegal de matas nativas até 2028. Essa meta deverá impactar diversas empresas através da regulação e rastreabilidade de terras e madeira. Os processos de licenciamento ambiental e supressão de matas deve se tornar muito mais rigoroso e com isso, as empresas devem se preparar para qualquer necessidade que tiver quanto a esses temas. Empresas que utilizam de madeira como matéria prima, provavelmente deverão receber maior fiscalização e também ser responsabilizada pelo controle e rastreabilidade da madeira utilizada em suas atividades.

 

Até 50% de energia renovável na matriz energética nacional em 2030:

Um outro tema importante que foi citado na COP-26 foi a declaração de que a matriz energética nacional será composta por um percentual de 45 a 50% de energias renováveis até o ano de 2030. Essa meta, do ponto de vista de execução, talvez seja a menos complexa pois o Brasil já conta com espaço, tecnologia e ambiente adequado para implementar fontes de energia limpa que podem abastecer boa parte do país como a energia eólica, solar e através de Hidrogênio Verde. Essa meta deve impactar as empresas que compram energia sem certificado de origem renovável e seu impacto deve ser diretamente ligado ao preço da energia utilizada. Existe ainda uma grande probabilidade de que o governo subsidie fontes de energia limpas para acelerar o processo, o que ajudará na implementação das fontes renováveis.

 

As metas estabelecidas pela comitiva nacional irão gerar impacto direto na operação das empresas, que precisarão agora, mais do que nunca, focar nas agendas ESG dentro de suas estratégias de trabalho. Existe ainda uma condição adicional, que em caso de detecção de não cumprimento ou até mesmo através de um apelo popular maior, é provável que novas metas muito mais agudas sejam necessárias e com isso, as empresas terão menos tempo para implementar medidas, que serão ainda mais complexas.

 

Para isso, a melhor forma de estar preparado para essas novas necessidades do mercado e ainda conseguir demonstrar a responsabilidade prevencionista para os seus acionistas é a implementação de agendas ESG estratégicas, com metas e compromissos claros, desenvolvendo a maturidade dos temas ambientais, sociais e de governança dentro da empresa e ecoando suas boas práticas para todos aqueles que são impactados pela sua operação.


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Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em Educação, Saúde e Segurança do Trabalho, Sustentabilidade Empresarial e MBA em Gestão Empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, na qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e “Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvimento pessoas”, e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão, sustentabilidade, gestão empresarial e corporativa em revistas e páginas técnicas na área.