O ar que você respira

Há uma ciência chamada “Qualidade do Ar Interno”, surgida na década de 70 durante a crise energética. Nessa época, os ocupantes dos edifícios norte-americanos desprovidos de ventilação natural e que utilizavam somente o ar condicionado para refrigeração, começaram a ficar doentes. Uma das causas é que, para economizar, as empresas reduziram o uso do ar condicionado nos ambientes, diminuindo assim a taxa da troca do ar no interior dos recintos. Essa diminuição da troca de ar aumenta a concentração de poluentes no ambiente interno. A má qualidade do ar interno está relacionada diretamente com doenças como gripe, resfriado, rinite, bronquite, asma entre outras.

Uma das funções da arquitetura é oferecer ao homem conforto e servi-lo de maneira que este se sinta protegido e confortável em um determinado ambiente, seja para o trabalho ou para sua moradia. Um ambiente deve ter condições térmicas compatíveis com o organismo de uma pessoa, para que possa funcionar em equilíbrio com a saúde e disposição de seus ocupantes e para estes não sofrerem fadiga e/ou estresse, inclusive térmico.

Normalmente, quando um ambiente está com uma temperatura muito alta, pensa-se logo na necessidade de baixa-la artificialmente, de acordo com os parâmetros de temperatura. Porém, através da arquitetura é possível prever a atuação de fatores como a umidade, velocidade do ar e radiação solar. Isso porque essas variáveis possuem relação direta com as topografias, os períodos de chuvas, as vegetações, com fontes de águas existentes tanto superficiais quanto subterrâneas, entre outras. A própria presença humana nesses locais pode alterar toda a conformação dessas variáveis em função da construção nesse local por exemplo.

Para um homem se sentir confortável termicamente este deve liberar uma quantidade de calor que seja suficiente para que sua temperatura interna se mantenha na ordem de 37ºC.

Se um ambiente possui umidade relativa alta, não significa que o conforto desse ambiente esteja prejudicado. Porém, quando um ambiente possui uma umidade relativa alta e temperatura menor que a do ponto de orvalho, torna-se um ambiente propício para a proliferação de micro-organismos prejudiciais à saúde. O contrário, também poderá ser prejudicial. Se a umidade relativa do ar estiver baixa, pode ocorrer casos de ressecamento da mucosa que reveste e protege as paredes das vias aéreas do aparelho respiratório, destruindo as enzimas protetoras que atacam os germes invasores.

Portanto, se há uma troca de calor correta, a pessoa estará em um ambiente confortável.

O conhecimento do clima e dos mecanismos de troca de calor, além do comportamento térmico dos materiais, permite a criação de um projeto arquitetônico consciente, de forma a aproveitar tudo o que o clima local pode proporcionar em termos de conforto. Uma construção que possui um ambiente interno adequado termicamente não significa necessariamente um gasto a mais na construção, mas, pelo contrário, pode representar uma redução da sua manutenção e utilização, deixando o ambiente sempre agradável para seus usuários.

Se houver um agente poluidor em um ambiente fechado, onde a troca de ar com o ar externo é quase nula, a saúde de quem o utiliza poderá estar comprometida. A maioria dos poluentes ataca no sistema cardiovascular e respiratório.

Os principais contaminantes dos ambientes internos são os relacionados com a própria atividade humana, como locais com intensa movimentação de veículos e em zonas industriais.  São eles: CO (monóxido de carbono), CO2 (dióxido de carbono), óxido e dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, ozônio, materiais particulados, fumaça de cigarro e os compostos orgânicos voláteis. Já os de origem biológica são as bactérias, fungos, grãos de pólem, ácaros e etc. Os compostos orgânicos voláteis (COVs) encontrados nos ambientes interno são os toluenos, benzeno, formaldeído.

Portanto, seja utilizando o ar condicionado ou seu uso concomitante com a ventilação natural, é muito importante observar a troca de ar externo.


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Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCAMP, e pós-graduada pela UnyLeya, como Especialista em Arquitetura, Construção e Projetos Sustentáveis. Atua há 19 anos com projetos e construções sustentáveis, e consultorias para empresas e indústrias.