Economia que cai do céu

Não é possível dizer que é novidade ou recente a iniciativa de se captar água de chuva e armazená-la para fins não potáveis. Na Roma Antiga, por exemplo, as residências possuíam um “espelho d’água” em local sem cobertura para captar a água da chuva que caía do telhado. Dali, a água entrava por uma tubulação e era direcionada para uma cisterna de armazenamento.

Fonte: http://www.tarraconensis.com/pompei_romano/pompei_romana.html . Imagem de uma maquete de uma residência Romana onde o número 2 Chamava-se Impluvium, uma espécie de espelho d’água onde era captada a água pluvial.

Fonte: http://www.tarraconensis.com/pompei_romano/pompei_romana.html . Foto  de uma de uma residência de Pompéia onde o  Impluvium, uma espécie de espelho d’água onde era captada a água pluvial, aparece na foto no centro do ambiente.

No Castelo de San Felipe Barajas, construído pelos espanhóis no século XVII na cidade colombiana de Cartagena,  existe ainda hoje,  abaixo do piso do castelo, um grande espaço construído de pedra, onde se armazenavam a água da chuva.

Foto: Castelo San Felipe Barajas- Cartagena- Colômbia 2009. Captação de água de chuva. Como se fosse uma cisterna enterrada.

Aos poucos, nossa civilização foi “perdendo a necessidade” de se captar a água da chuva, em função da mudança de cultura, de estilo de vida, da conformação do urbanismo, das cidades, dos terrenos e das residências.

Hoje, 3 bilhões de habitantes no mundo carecem de água com tratamento e mais um bilhão que não tem acesso a água potável. Assim, é imperativo um planejamento para gerir demanda e oferta de água.

Uma boa forma de compreendermos qual o impacto que cada habitante causa sobre o nosso planeta, são os cálculos e metodologias de avaliação. Uma delas, e que vai nos importar nesse primeiro momento, é a “Pegada Hídrica”. A Pegada Hídrica mede os impactos que as atividades humanas podem causar na hidrosfera, através do monitoramento dos fluxos reais e ocultos. Assim como a “ Pegada Ecológica”e “Pegada de Carbono”, a Pegada Hídrica tem como função encontrar as diferentes pressões do consumo humano sobre os recursos naturais e mostram a distribuição desigual do uso desses recursos entre os habitantes de todas as regiões do planeta. Com essa métrica, é possível financiar políticas de desenvolvimento, justiça ambiental e partilha justa.

O Brasil é um país privilegiado, pois é rico em recursos naturais. Porém, é campeão em desperdícios, onde 46% de sua água tratada, ou 5,8 bilhões de m³ anuais, é jogada perdida pelo ralo, durante a distribuição ou pelo mal uso de seus usuários.

Com esta visão, a arquitetura pode ajudar no conceito em gestão da água tratada.

O QUE É UM PCA?

O PCA (Programa de Conservação da Água) é um conjunto de ações desenvolvidas por autoridades governamentais  e seus habitantes, com o objetivo e otimizar o uso de água potável e, como consequência, reduzir o volume de efluentes gerados em um ambiente construído.

Através do PCA, podemos gerenciar a demanda de água, diminuindo o uso da água potável nas atividades menos nobres. Com essa atitude, diminui-se a geração de efluentes gerados e o aumento da quantidade de água potável para fins mais nobres. Podemos gerenciar também a oferta de água, buscando outros meios de captação de água para uso menos nobres como: águas pluviais, águas cinza, esgoto doméstico (efluente terciário, ou seja, despejos que fazemos utilizando água) e águas subterrâneas.

Ações que fazem diferença para o seu bolso.

Há várias ações que podemos fazer para economizar água, que vão desde mudanças atitudes em nosso comportamento e hábitos, até mudanças na tecnologia, utensílios e instalações de novos equipamentos que possam armazenar águas não tratadas, que possam ser utilizadas para fins menos nobres.

Arejadores de torneira que diminuem a vazão da mesma, instalação de cisternas que captam água da chuva, sistemas de tratamento natural de águas sanitárias, ou equipamentos naturais que “tratam o esgoto”, para que os dejetos possam ser utilizados como adubo no jardim.

Um PCA bem implantado e uma gestão bem organizada, é possível economizar água potável, reduzindo a geração de esgoto e ofertando água tratada.

Portanto, não devemos deixar de comentar que, além de lembrar que a gestão da água é uma preocupação antiga da humanidade, podemos considerar também que todas as ações do PCA possuem como consequência a economia e geração de lucro.


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Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCAMP, e pós-graduada pela UnyLeya, como Especialista em Arquitetura, Construção e Projetos Sustentáveis. Atua há 19 anos com projetos e construções sustentáveis, e consultorias para empresas e indústrias.