De volta para o Futuro

A Bioconstrução consiste em várias técnicas de construção onde se utilizam materiais que, juntos, fazem com que a obra tenha o menor impacto ambiental possível, desde o seu projeto até a sua ocupação, garantindo a qualidade de vida das futuras gerações. São materiais naturais e, quando possível, obtidos dentro do próprio terreno ou na própria região, como, por exemplo, a pedra, a madeira, o bambu, o solo, a palha, etc.

Retomar antigos métodos construtivos não significa necessariamente “voltar ao passado”, no sentido de retroceder no tempo e na tecnologia. Muito pelo contrário. É a retomada de uma “consciência perdida”, voltada para uma construção mais limpa, com ambientes internos livres de produtos químicos, com criatividade profissional, e tendo como aliadas a tecnologias atuais, na criação de novos conceitos.

Uma grande forma de se compreender a bioarquitetura é observar as “construções” na natureza. Tentar aprender com elas e com seus animais construtores.

OS ARQUITETOS DA NATUREZA

Um exemplo clássico, mas sempre admirável, é o das colmeias das abelhas. As colmeias dessas pequenas arquitetas são capazes de estocar o maior volume possível, com menos material empregado nas vedações. O melhor formato para esse objetivo é precisamente o hexagonal.  Além disso, esse formato utiliza a menor quantidade de cera para construir o favo. Se ele fosse redondo, não se encaixaria entre os demais e sobrariam espaços entre um e outro favo.

Fonte: https://doutorricardo.rs.gov.br/curso-de-apicultura

Outro exemplo sofisticado é o do cupinzeiro. Nos montes construídos pelo cupim, a temperatura constante é de 30 graus Celsius, mesmo com altas variações de temperatura externa. Essa “climatização” permite manter em seu interior a presença dos fungos do qual se alimentam. O ar quente entra pela base do cupinzeiro e passa por câmaras resfriadas com lama, subindo por canais até o cume.

Fonte: https://aldeia-mundus777.blogspot.com/2016/04/cupinzeiro.html

O cupim de montículo (Cornitermes cumulans), responsável por essas construções que infestam as áreas de cerrado brasileiro, possui um ambiente auto-regulável, devido uma intrincada rede de túneis para criar um fluxo de ar que controla a qualidade do ar interno, temperatura e nível de umidade. Qualquer variação de temperatura pode afetar os fungos e deixar os cupins sem alimento.

Fonte: http://www.doutorcupim.com/2015/06/

A construção dos cupins é feita de solo misturado com a saliva desses animais, que forma uma substância resistente, semelhante ao tijolo, tornando o cupinzeiro extremamente sólido.

E esses pequeninos fazem escola até mesmo entre nomes conceituados da arquitetura brasileira. O arquiteto Vitor Lotufo, por exemplo, desenvolveu uma técnica de construção habitacional onde as paredes são autoportantes, através de pedaços de cupinzeiros (desabitados) dispostos ao longo da extensão da parede e nas fiadas, a cada 70cm de altura, recebendo também uma amarração de arame farpado.

Prestar a atenção aos ensinamentos da natureza, sua estrutura seus formatos e suas construções, nos leva a um entendimento da nossa própria arquitetura, impulsionando-nos na direção de um futuro sustentável, inteligente e justo.

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Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCAMP, e pós-graduada pela UnyLeya, como Especialista em Arquitetura, Construção e Projetos Sustentáveis. Atua há 19 anos com projetos e construções sustentáveis, e consultorias para empresas e indústrias.