Construção Sustentável: uma realidade possível

A construção civil é uma das atividades humanas que mais afetam o meio ambiente. 50% de todos os recursos naturais extraídos do mundo e 34% do consumo de água são destinados para a construção civil. Ainda, mais de 60% do total de resíduos sólidos urbanos são provenientes dos canteiros de obras. Com isso Construção Civil atual deverá vencer dois grandes desafios para ajudar as cidades com as mudanças climáticas.  O primeiro será a redução da emissão de gases de efeito estufa emitidos na produção de materiais utilizados nas obras. O outro grande desafio está relacionado à diminuição do consumo de energia elétrica e água na operação futura do edifício.

Nesse contexto entra o conceito de Construção Sustentável. A Construção Sustentável é uma forma de se construir harmonizando-se com o meio ambiente. As suas principais características são: máximo aproveitamento dos recursos naturais, racionalização do uso da energia, utilização de tecnologias que permitam economia de água, redução do impacto ambiental do empreendimento durante a obra e no período de operação.  Essas construções são popularmente chamadas, green buildings (prédios verdes).

Historicamente é importante destacar que somente durante a segunda parte do século XX as diretrizes da chamada arquitetura bioclimática ( que é um braço da arquitetura sustentável) foram sendo aplicadas novamente. As construções sempre levaram em consideração o clima, ambiente, natureza, porém durante uma parte do século XX, começou um pensamento de abandono a essas diretrizes naturais, dado o crescimento exponencial das cidades. O impacto sobre a natureza nesse período foi absurdo. Somente no final do século XX é que a sociedade voltou a pensar nos impactos gerados. A década de 1990 foi imprescindível para a construção sustentável. O conceito de sustentabilidade passou a ter mais força junto aos órgãos internacionais e a busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis na construção civil se intensificou.

Como fazer? O principal conceito que casas e edifícios devem levar em conta para se tornarem sustentáveis é o respeito ao ambiente que os cerca, a comunidade e aos recursos naturais. Exemplos de estratégias a serem utilizadas é usar madeiras com o selo de certificação de reflorestamento, painéis fotovoltaicos, cisternas e sistemas de reuso de água, vasos sanitários com redução de água, explorar bem a iluminação natural nos ambientes internos e a ventilação cruzada a fim de reduzir o consumo de energia por ar condicionados ou ventiladores.

A sustentabilidade pode ser sem altos custos. Muitos acreditam que a construção de empreendimentos sustentáveis encarece a obra. Mas isso depende muito.
Quando o projeto é pensado desde o início para ser uma obra sustentável, o custo final não é superior ao de uma obra convencional. Isto porque, mesmo que haja mais investimento em alguns produtos ou em tecnologia sustentável, esse custo é absorvido pela economia que a obra terá em médio e longo prazos em termos de água, energia etc. Desse modo, ainda que o investimento inicial seja um pouco maior, é perceptível o quanto se economiza no decorrer do tempo.

Certificações verdes

As construções sustentáveis podem ser passíveis de avaliação e certificação. E elas dão mais credibilidade a essas práticas.
As certificações green building privilegiam aspectos diversos da construção. Uma das mais conhecidas é o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).  Foi criada em 1993 pelo United States Green Building Council – USGBC (www.usgbc.org). Esse selo envolve pré-requisitos obrigatórios, que não valem pontos, e um sistema de pontuação cumulativa, que permite às edificações obterem diferentes classificações. O processo é dividido em fases. A primeira é o registro da edificação no USGBC. A segunda é a pré-certificação, concedida com base no desempenho dos itens previstos em projeto. A certificação real ocorre somente após a conclusão da obra, quando todos os sistemas são rigorosamente auditados, para verificar se os pré-requisitos e a pontuação obtida em projeto foram de fato cumpridos. Após essa etapa, a edificação certificada terá o direito de usar o selo LEED pelo período de dois anos.
Os edifícios certificados tem inúmeras vantagens entre elas: ocupantes de prédios verdes certificados têm produtividade adicional de 2% a 16%. Para empresas essa vantagem é um excelente incentivo.

Como sabemos os “prédios verdes” são uma realidade. Com o aumento da demanda por construções mais sustentáveis já podemos notar uma forte tendência de queda nos preços dos materiais.
Somente soluções economicamente viáveis, socialmente justas e de baixo impacto ambiental podem ser consideradas sustentáveis. Vemos cada vez mais que é possível fazer construções sustentáveis sem aumentar o custo das obras, reduzindo o impacto ambiental de maneira significativa e melhorando o desempenho social. Assim nossa sociedade estará cada vez mais alinhada com a sustentabilidade e ganhará cada vez mais.


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Especialista em Arquitetura Sustentável pela PUCPR, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UTP, CEO do escritório de arquitetura Aria41 e consultora em projetos sustentáveis, integrante do CivicWise e professora na Escola de Sustentabilidade.