Considerações sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) vem sendo alvo de grandes polêmicas recentemente. Em vista disso, a coluna de hoje vai trazer algumas das contribuições do Instituto a Ciência e Tecnologia no Brasil.

Criado no início dos anos 1960, em um contexto de guerra fria, o INPE tem como um de seus objetivos: “Ampliar e consolidar competências em ciência, tecnologia e inovação nas áreas espacial e do ambiente terrestre para responder a desafios nacionais”. O INPE mantém parcerias com diversas universidades, países e instituições, como a NASA, sendo fácil demonstrar que o Instituto vem cumprindo esse objetivo. Entre tantas outras realizações importantes a ciência e tecnologia brasileiras, pode-se destacar as seguintes:

1 – Em 2008, o INPE criou o programa de Clima Espacial (EMBRACE), que tem como objetivo a mensuração e modelagem das interações entre o Sol e a terra e seus efeitos no Brasil;

2- O instituto investiu na capacitação internacional de especialistas visando o desenvolvimento da indústria nacional e favorecendo instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET);

3- É a única instituição brasileira que, até o momento, mantém atividades experimentais em ondas gravitacionais.

4- O Instituto foi responsável pela concretização da parceria entre Brasil e China, possibilitando o lançamento do primeiro satélite brasileiro (CBERS). Esse lançamento foi um marco na história brasileira e hoje já foram 6 satélites lançados da série CBERS. Eu preciso destacar a importância das imagens de satélite para o Brasil, tendo em visto que pouco mapeamento existe a respeito de nosso território.

5- Criação da Plataforma Multimissão (PMM) que tem em vista lançamentos de satélites para aplicações em sensoriamento remoto, clima espacial, astrofísica e geofísica espacial;

6- Desenvolvimento do projeto TerraLib que é uma biblioteca de funções, de código aberto, para a construção de aplicações geográficas personalizadas.

7- Nos anos 1990, o INPE iniciou o projeto de Avaliação da Cobertura Florestal da Amazônia Legal, que passou a ser chamado de Projeto Desflorestamento da Amazônia Legal (PRODES). O PRODES é hoje a principal fonte de informações ao governo federal como subsidio as políticas de combate ao desmatamento na Amazônia;

Muito foi dito nas últimas semanas a respeito da metodologia utilizada pelo PRODES. O método é um processo complexo de interpretação de imagens de satélite que possui ampla credibilidade. Deixarei no final o link da metodologia completa. Além disso, foi questionado se os dados deveriam ser publicados a sociedade. Essa transparência é um avanço para a sociedade brasileira e nos garante o direito de monitorar o que ocorre ao nosso patrimônio, ou seja, nossos recursos naturais.

De acordo com a BBC Brasil, Douglas Morton que é diretor do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da Nasa, e professor-adjunto da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos expressou a seguinte opinião sobre o Instituto: “O processo de análise de imagens de satélite providas por agências espaciais como a Nasa é feito com a mais absoluta transparência e imparcialidade pelo Inpe. O instituto tem prestígio internacional e sua equipe conta com funcionários gabaritados. Os dados são checados e rechecados antes de serem divulgados”. Douglas Morton vêm acompanhando o Brasil nos últimos 18 anos, especialmente no que se refere ao avanço das fronteiras agrícolas na Amazônia e no Cerrado e na dinâmica do desmatamento.

Além de tudo isso, o INPE mantém um programa de pós-graduação responsável por diversas pesquisas de qualidade incontestável.

É preciso reconhecer as limitações do uso de satélites para monitoramento. Porém esta é uma tecnologia em crescente desenvolvimento que só aumenta sua precisão ao longo dos anos. Metodologias devem sempre ser melhoradas e atualizadas, porém descredibilizar o instituto e/ou dados gerados pelo mesmo é o mesmo que desacreditar toda a história espacial do Brasil.

Metodologia utilizada no PRODES:

http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes/pdfs/metodologia_taxaprodes.pdf

Outros links:

Notícia completa da BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49256294

Site do INPE: http://www.inpe.br/

Plataforma Multimissão: http://portal-antigo.aeb.gov.br/plataforma-multimissao-pmm/

Programa de Clima Espacial: http://www2.inpe.br/climaespacial/portal/pt/

TerraLib: http://www.dpi.inpe.br/terralib5/wiki/doku.php


Gostou? Compartilhe agora mesmo!

Graduada em Engenharia Florestal pela UFRRJ, mestranda em Ciências Ambientais e Florestais pela UFRRJ, pesquisadora junto ao laboratório de Sensoriamento Remoto Ambiental e Climatologia aplicada (LSRACA) com foco para as mudanças climáticas na região Amazônica brasileira.