Compensação de carbono e sustentabilidade

Compensação de CO2, a sustentabilidade poluente

O acordo de Paris estabeleceu a regulação do mercado de créditos de carbono, com o intuito de estabelecer a compra e venda de carbono sobressalente de atividades baseadas em plantio principalmente. Com a evolução dos interesses e necessidades de neutralização das emissões, diversas instituições e empresas tem buscado essa metodologia para neutralizar suas emissões e com isso, facilitado o caminho de atender as novas demandas para frear as mudanças climáticas.

Essas medidas são interessantes e movimentam o mercado mundial na busca do equilíbrio carbônico, porém, diversos riscos estão atrelados a isso, e devem ser levados em plena consideração:

 

  1. O fato dos impactos irreversíveis: Conforme declarado em pesquisas dos últimos meses, os impactos gerados pelas emissões dos GEE´s já é irreversível. Com isso, medidas muito drásticas precisam ser tomadas de forma rápida, a fim de minimizar o impacto ainda reversível.

 

  1. Compensação é sempre mais fácil: Existem diversos processos e métodos que sabidamente são complexos de ter uma operação menos poluente e com isso a compensação é um caminho mais sólido, porém, quando existe uma abertura sem clara regulação de quais processos podem ser compensados, outras atividades que poderiam ser ajustadas para minimizar o impacto das emissões permanecem emitindo CO2 em grandes quantidades e com a compensação, ficam estabelecidas como operações neutras e limpas.

 

  1. CO2 Free precisa ser avaliado a fundo: Estamos vendo diversos projetos, produtos e empresas estamparem o CO2 free. Essa medida “Ambientalmente correta” arrisca a termos diversos projetos que não são “bem assim” CO2 free. Neutralizar as emissões de CO2 requerem ações muito mais abrangentes e essas ações podem ser na eletrificação de veículos, substituição de combustíveis, energia limpa e renovável e outras frentes que de fato apresentam impacto sustentável. O CO2 free precisa de mais regulamentação, normatização e clareza para o consumidor leigo, visto que impactos gerados, mesmo compensados, ainda são nocivos e essa pegada ambiental jamais será apagada do planeta.

 

Como podemos ver, a pegada neutra em CO2 precisa ser muito discutida e principalmente trazida ao conhecimento do publico geral. Medidas compensatórias servem e servirão por muito tempo como forma de compensar os impactos gerados pelas atividades empresariais necessárias, porém, criar um mercado regulado sem regramento para compensação, pode criar um monstro de emissões neutras, que jamais conseguiremos corrigir.

O foco em atividades e operações livres da geração de carbono deve ser partes das agendas ESG das empresas e instituições, pois desenvolver projetos inovadores no tema leva tempo e quanto mais tarde for percebida essa necessidade, menor será a chance de repararmos os impactos no clima.


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Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em Educação, Saúde e Segurança do Trabalho, Sustentabilidade Empresarial e MBA em Gestão Empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, na qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e “Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvimento pessoas”, e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão, sustentabilidade, gestão empresarial e corporativa em revistas e páginas técnicas na área.