Cidades Sustentáveis

” A cidade não é o problema e sim a solução” (Jaime Lerner)

A população mundial está crescendo rapidamente. Você sabia que a cada 19 segundos a população brasileira aumenta? São dados recentes do IBGE. Hoje somos  86% de brasileiros morando em cidades, isso quer dizer que nas ultimas décadas tivemos uma alta taxa de crescimento populacional e um processo de urbanização acelerado. Somos mais de 5 mil cidades e 500 prefeituras. Se ampliarmos essa perspectiva para a América Latina e Caribe vemos que a população chega a ser 75% urbana. Das 500 milhões de pessoas que vivem na América Latina e Caribe 375 milhões vivem em cidades. E destas, 120 milhões estão abaixo da linha da pobreza. O que está acontecendo aqui irá se repetir tanto na África como na Ásia, só que em uma proporção ainda maior, por se tratar de continentes já muito populosos. Ampliando ainda mais a visão, a ONU em 2017, disse que até 2050 a população mundial urbana, que hoje é de 54%, irá aumentar para 66%. Quer dizer que terá 2,3 bilhões de pessoas a mais vivendo em cidades daqui apenas 30 anos. E se faz necessário fazer um questionamento, será que o trânsito, a água, a comida, o clima e até mesmo os nossos negócios darão conta do recado?

As cidades consomem quase a totalidade dos produtos e serviços que utilizam materiais e recursos provenientes do meio ambiente.  Em muitas dessas cidades os carros transportam 30% das pessoas e são responsáveis por mais de 70% das emissões de CO².

Com toda essa preocupação é que surgiu o conceito de Cidades Sustentáveis. Desde a década de 60 estamos vendo que é necessário mudar e agora, mais do que nunca, precisamos fazer isso o mais rápido possível. Então deixa eu explicar melhor o que são Cidades Sustentáveis. São aquelas que incorporam ações eficientes e de sustentabilidade em seus serviços fundamentais, como: segurança, transportes, educação, saúde, coleta de lixo, saneamento, energia, etc. E tem como objetivo evitar a degradação do meio ambiente e garantir a permanência as gerações futuras. Com isso é nas cidades que estão as soluções e elas precisam ser pioneiras.

Para que essas mudanças aconteçam é necessário que haja um trabalho em conjunto envolvendo Governo, sociedade civil e empresas. O governo incentivando, fazendo leis, fiscalizando. A sociedade civil cobrando, fazendo projetos e tendo atitudes sustentáveis. As empresas, além de adotar posturas em prol a natureza, podem investir em projetos que tenham essa finalidade. Há um programa que foi criado para ajudar os gestores em tornar as suas cidades mais sustentáveis. É o Programa Cidades Sustentáveis – O programa é uma plataforma que oferece aos gestores públicos uma gama completa de sustentabilidade urbana, mais de 260 indicadores básicos e um banco de práticas com casos exemplares nacionais e internacionais como referências a serem seguidos pelos municípios. O objetivo desse programa é sensibilizar e mobilizar as cidades brasileiras para que se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável.

Para uma cidade ser considerada sustentável ela deve seguir alguns tópicos básicos, entre eles:

  • Destinar corretamente e reaproveitar resíduos sólidos;
  • Oferecer água de qualidade sem esgotar mananciais;
  • Reaproveitar a água da chuva;
  • Criar e utilizar de fontes de energia renováveis;
  • Ofertar transporte alternativo e de qualidade para a população;
  • Garantir opções de cultura e lazer.

E para uma cidade poder adotar essas regras ela deve estudar quais são as prioridades e se comprometer com isso. Um bom exemplo de comprometimento, escolhas de prioridades e metas foi o Acordo de Paris, assinado em 2015, em que traçaram metas a serem alcançadas nos próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta seguindo os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Mesmo assim não há uma cidade no mundo que seja 100% sustentável, porém há várias delas que já praticam ações sustentáveis em diversas áreas. Legal, mas então, o que fazer para tornar uma cidade mais sustentável? Vamos citar algumas ações e cases que podem ser tomadas para alcançar essa meta.

Políticas Publicas:  são muito importantes para uma Cidade Sustentável. Em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, a cooperativa de catadores chamada Catavida oferece capacitações para a correta gestão social de resíduos sólidos. A prefeitura apoia esse tipo de projeto. Em Vancouver a energia é produzida de forma diversificada, 90% dela é produzida através ondas, ventos, painéis fotovoltaicos e hidrelétricas. Em Viena, na Áustria, a prefeitura da prioridade  para a compra de produtos ecológicos. Em Thisted, na Dinamarca já se faz uso de 100% de energia sustentável.

Mobilidade: Na Holanda, foi aplicado um plano de mobilidade que prioriza ciclistas, crianças e pedestres. Com essa mudança observou a diminuição da utilização de carros e o aumento da malha cicloviária. Copenhague é outro  excelente exemplo em investimento na infraestrutura para o uso de bicicletas. Mas outras ações podem tornar uma cidade sustentável no âmbito da mobilidade: Calçadas mais amplas e acessíveis, iluminação adequada para dar segurança, desenvolvimento dos bairros para que as pessoas possam ter tudo ao seu alcance sem percorrer distancias muito longas, parklets (ou varandas urbanas) que favorecem o uso do espaço publico pelo pedestre etc.

Arborização: A arborização deveria ser usada como estratégia de saúde publica. Uma cidade arborizada é essencial não só para a boa qualidade do ar, mas para evitar a formação de ilhas de calor. Ainda as árvores são responsáveis por captar o CO2, manter a umidade do ar, reter a água das chuvas, ajudar no controle de enchentes e permeabilizar o solo. Na cidade Senhora dos Remédios, em Minas Gerais, a população tem o hábito de plantar uma árvore para cada bebê que nasce.

Universidades e Institutos de pesquisa: A principal contribuição desses órgãos é o apoio técnico para as iniciativas públicas e privadas, elaboração de pesquisas importantes e propostas de soluções para problemas.

Associação de bairro e ONGS: É por meio desses atores que os cidadãos podem ter voz. Eles têm acesso a quem é diretamente influenciado pelos problemas sociais e ambientais e sabem quais devem ser as prioridades do município. Um exemplo legal é a Caçamba do bem e o Projeto Compostar.

Setor Privado: Além das empresas precisar se preocupar com o impacto que o seu negócio traz para o meio ambiente.  Essas corporações podem financiar projetos sociais e ambientais na cidade.

Moradores da Cidade: É essencial que haja mudanças no nosso comportamento. Descarte o lixo adequadamente, otimize o uso da água e da energia, prefira formas de transporte que não emitam poluentes, escolham alimentos orgânicos e agroflorestais e usem materiais de forma mais eficiente evitando o desperdício. E muito além disso,´é necessário cobrar nossos governantes para termos políticas que sejam mais eficientes e em equilíbrio com o meio ambiente.

Cada vez mais vemos a importância de ter um Planejamento Urbano alinhado com o desenvolvimento sustentável nas cidades e os cidadãos cada vez mais engajados e por dentro dos Planos Diretores das cidades e suas leis para cobrar ações. Só assim as nossas cidades poderão se preparar para todas essas mudanças que estão acontecendo de forma mais eficiente e que consiga promover a qualidade de vida e a preservação do meio ambiente.

Cada um de nós temos um papel fundamental nessas mudanças.

” Seja a mudança que você quer ver no mundo”.


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Especialista em Arquitetura Sustentável pela PUCPR, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UTP, CEO do escritório de arquitetura Aria41 e consultora em projetos sustentáveis, integrante do CivicWise e professora na Escola de Sustentabilidade.