Benefícios e Malefícios de agrotóxicos na produção agrícola

  Há diversos questionamentos sobre o termo agrotóxico, que segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é definido como qualquer produto de origem química, física ou biológica utilizado na prevenção (pré-tratamento) ou extermínio (pós-tratamento) de pragas e doenças das culturas agrícolas. Esses produtos são subdivididos em fungicidas, herbicidas e inseticidas. Os fungicidas agem em microrganismos hospedeiros, conhecidos como fungos. Os herbicidas atuam em plantações indesejadas em um determinado cultivo, denominadas ervas daninhas. Os inseticidas inibem a proliferação de insetos no meio agrícola.

  Desde 1960 a inserção destas substâncias orgânicas sintéticas (agrotóxicos) vem crescendo no mundo globalizado, pois foi evidente que o uso destes compostos químicos elevaria a produção do plantio, devido a ação imediata em organismos competidores da vegetação produzida em zonas rurais. Em 2015 um estudo realizado na Universidade do Estado de São Paulo (USP) evidenciou que o uso de agrotóxicos previne a perca de até 40,0% da produção agrícola mundial, sendo um marco e benefício para a economia nacional de um país rico em biodiversidade como o Brasil.

  Porém como mostra a Figura 1, apenas 0,1% da quantidade de pesticida utilizada alcança a praga, sendo o destino destas substâncias orgânicas sintéticas o seguinte: a) volatilização: comportamento no qual o herbicida ascende do solo à atmosfera (contaminação do ar); b) lixiviação e escoamento superficial: ação de fluxo desses compostos até às águas subterrâneas (lixiviação) e superficiais (escoamento) (contaminação hídrica) e c) degradações: que podem dá origem a compostos mais tóxicos para o meio ambiente.

Figura 1 – Processos de transporte dos agrotóxicos

  Vale lembrar que estes compostos têm características cancerígenas e mutagênicas, o que impacta de forma direta e indireta a qualidade na biota e na saúde humana. Estudos vem sendo realizados no Brasil e na União Europeia por agrônomos, engenheiros ambientais e químicos, com o intuito de certificasse o potencial de alguns princípios ativos destes compostos em: a) inativar o solo de produção agrícola; b) aumentar a resistência das pragas ao agrotóxico utilizado; e c) a capacidade da proliferação de câncer e ataques a sistemas nervosos de seres humanos receptores.

   Entre estes princípios ativos, destacam-se: a) Atrazina; b) Hexazinona; c) Ametrina; d) Glifosato; e) 2,4-D; f) Diurion e g) Tebutiuron, pois algumas pragas já obtêm resistência ao uso desses compostos, isto é, devido ao uso descontrolado dos agrotóxicos em meio agrícola. Neste cenário surgiu diversos compostos químicos novos para inserção no combate a pragas, entre eles destaca-se desde 2010 nos Estados Unidos da América a inserção de um princípio ativo conhecido como indaziflam, que atua no pré-tratamento de ervas daninhas.

   A liberação do uso de indaziflam se deu no Brasil em 2016 e no Canadá em 2012. No Brasil, segundo a ANVISA, em 2019 houve a liberação de 382 pesticidas, sendo 75 destas substâncias orgânicas sintéticas banidas na União Europeia. O que acarreta além de problemas ambientais, um problema econômico para o Brasil, pois aumentará a dificuldade na exportação de produtos agrícolas produzidos no país, tais como: a) soja; b) cana-de-açúcar; c) café; d) milho; e) algodão; f) laranja; g) mandioca; h) arroz e i) carne bovina.

   Vale salientar que estes compostos utilizados para geração de agrotóxicos obtêm uma estrutura química complexa (cadeias aromáticas), que é de difícil tratamento hídrico físicos e biológicos de forma tradicionais como por coagulação, floculação, filtração e lagoas aeróbicas, outro gargalho para o bem-estar de presentes e futuras gerações (desenvolvimento sustentável), pois o acumulo desses compostos em cursos hídricos vem crescendo gradativamente, sendo um dos veículos para o aumento de doenças crônicas como o câncer e ataque ao sistema nervoso.

  Observa-se neste cenário que o uso de agrotóxico é similar ao uso de fármacos, faz-se necessário, mas deve ser realizado de forma controlada e consciente, pois o excesso destes compostos antropogênicos aumenta a vulnerabilidade e dependência humana a compostos industrializados, que trazem epidemiologias irreversíveis.


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Doutorando em engenharia química pela UFPE, mestre em engenharia química pela UFPE, graduado em engenharia ambiental pela ASCES, pesquisador junto ao Laboratório de Processos Catalíticos (LPC) da UFPE.