Arquitetura pós-Covid 19 (Se não cair um meteoro antes)

No último dia 30, assisti a entrevista com o biólogo Atila Iamarino no programa Roda Viva, da TV Cultura. Ali, ele fez algumas previsões a nível mundial, sobre como será a vida nas cidades, numa realidade pós- Covid 19.

Em síntese, ele disse que, com certeza, nossa vida vai mudar. Teremos que repensar desde nossa cultura, até o modo como exercemos nossas profissões. Enquanto não houver uma cura efetiva para o Covid 19, as pessoas forçosamente terão que tomar mais cuidado ao atuar em espaços com muita gente, principalmente quando forem ambientes fechados, eventos, etc.

Ao pensar nisso, vem-me à mente alguns questionamentos sobre se essa pandemia poderá trazer alguma interferência na arquitetura, ou seja, na maneira de se projetar uma residência, um escritório e demais locais onde pessoas terão que passar o maior tempo de suas vidas.

Até residência? Por quê? Sim, porque, com esse isolamento, provavelmente muitas pessoas conseguiram trabalhar remotamente a partir de casa, constituindo uma oportunidade de tanto empresas quanto funcionários perceberem o home office como uma possibilidade concreta ou mesmo vantajosa. Talvez, num futuro muito próximo, as pessoas que desejarem construir ou reformar suas residências, não deixarão de pedir ao arquiteto um espaço que atenda, pelo menos, aos requisitos básicos de algum tipo de trabalho.

O arquiteto, nesse quesito, pode até ir além. Atualmente, na arquitetura corporativa, existem muitos espaços que são projetados para terem multifunções. Esse é um procedimento que pode ser transportado para as residências, de forma que um mesmo espaço possa ter outras funções quando não está sendo usado, por exemplo, num momento de trabalho. E, por outro lado, quando estiver sendo usado para trabalho, terá todo conforto e organização necessários, sem prejudicar a funcionalidade da rotina residencial.

Segundo Nícholas Blosom, professor de economia da universidade de Standford e um dos ferrenhos defensores do smart working, o funcionário tem a maior possibilidade de concentração quando está em casa, mencionando ainda os impactos positivos no meio ambiente, como diminuição do trânsito e da poluição.

Para além do exercício profissional, a mudança de cultura, num mundo pós- Covid 19 poderá trazer a necessidade de se projetar uma espécie antecâmara na entrada de uma residência ou mesmo em determinadas empresas. Nesse espaço, as pessoas poderão deixar, de modo organizado, os pertences que foram usados na rua, como bolsas, carteiras, sapatos, casacos, chaves, etc, de modo que se adentre ao edifício de forma muito mais higiênica, fazendo uso, inclusive, do álcool em gel que ali estará como requisito mais do que básico.

Dentre esses questionamentos todos, lembrei também daquilo que já comentei em outras postagens, mas que ainda é mais válido do que nunca: temos que buscar, sempre que possível, a ventilação passiva nos ambientes, e tentar eliminar ao máximo o uso de ar condicionado. Em um mundo onde diferentes vírus surgem a todo momento, também que teremos que repensar o entorno da edificação, deixando mais vegetação entre as construções.

Segundo Atila Iamarino, o aparecimento de tantas doenças infecciosas em um curto espaço de tempo, como Ebola, Aids, Zika, Dengue, Chicungunia, Febre Amarela e outras tantas mais, que “saltam” dos animais para os humanos, nada mais é que um reflexo de nosso modo de vida nas grandes cidades, onde há pouca presença de áreas verdes, eliminando assim o ambiente onde esses vírus viveriam harmonicamente, intocados, sem danos aos humanos.

Podemos, então, chegar à conclusão, de que realmente precisamos rever, o quanto antes, nossas atitudes, nossas profissões, se quisermos realmente viver em paz e melhor. Pergunto-me se, no final dessa crise do Covid 19, teremos confiança em sair na rua sabendo que ainda não temos a cura definitiva. Porque, se não mudarmos nada, aparecerão novas ondas de Covid 19 e outros vírus cada vez mais agressivos e piores! Para onde queremos levar a nossa vida? Que tipo de ambiente vamos escolher viver? Lógico, tudo isso, se o tal meteoro não cair antes.

Fontes:

https://www.gazetadopovo.com.br/haus/arquitetura/como-covid-19-mudar-futuro-locais-trabalho/

Programa Roda Viva da Tv Cultura. Dia: 30/03/2020. https://www.youtube.com/watch?v=s00BzYazxvU


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Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCAMP, e pós-graduada pela UnyLeya, como Especialista em Arquitetura, Construção e Projetos Sustentáveis. Atua há 19 anos com projetos e construções sustentáveis, e consultorias para empresas e indústrias.