Acidentes Ambientais

Esse mês o Brasil vivenciou o maior acidente ambiental em extensão registrado na história do país. Grandes manchas de petróleo alcançaram a costa do Nordeste Brasileiro, causando grandes prejuízos para o meio ambiente e biodiversidade local. Segundo boletim divulgado, o ponto mais ao norte registrado fica em Alcântara (MA) e o mais ao sul, em Esplanada (BA). As manchas já apareceram em 138 praias de 62 cidades – não há qualquer relato histórico de qualquer vazamento ter atingido uma área tão grande.

A extensão da costa nordestina atingida pelas manchas de petróleo desde o dia 2 de setembro chegou a 2.100 quilômetros, atingindo nove estados da região. “Esse vazamento atingiu a maior extensão, com certeza. É uma situação que nunca ocorreu na história do país, e desconhecemos se algo similar no mundo”, afirma Marcelo Amorim, coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis).

Uma análise com base nas correntes marinhas, feita pelo Laboratório de Oceanografia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), aponta que o vazamento ocorreu entre os litorais de Pernambuco e Paraíba, a uma distância entre 40 e 50 km da costa.

Mas como explicar uma extensão tão grande de área atingida? Para Amorim, ainda não há certeza sobre como isso ocorreu, mas existem hipóteses. “Uma delas é que um petroleiro que tenha lavado o seu tanque de petróleo. Existe um tanque que absorve essa água com borra – que não deixa de ser petróleo cru. Por algum motivo, em vez de parar no porto e dispensar, ele sai navegando e liberando numa passagem que tenha feito ao largo do Brasil, na altura de Alagoas e Pernambuco”, diz, citando que correntes marítimas naturais teriam ajudado a dispersar a mancha para quase todo o litoral do Nordeste. Nesse caso, há uma peculiaridade: Não se sabe quem produziu o material, nem quem o vazou.

As investigações, conduzidas pela Marinha e Polícia Federal, sobre a origem do petróleo que contamina todo o litoral do Nordeste se concentram, na fase atual, em 23 embarcações suspeitas.

Segundo investigações, o óleo pode ter sido proveniente de embarcações de diversas origens. O trabalho se concentra em cruzar rotas mais usadas no transporte de petróleo e a direção que as toneladas de óleo tomaram até chegar às praias do Brasil.

O material identificado até agora em amostras tem a “assinatura” do petróleo da Venezuela, ou seja, a composição da borra é de origem venezuelana, conforme estudos da Petrobrás e da Marinha. Dessa forma, a hipótese de que o petróleo lançado no mar brasileiro seja fruto de um naufrágio está praticamente descartada pelo governo.

Uma das linhas de investigações, segundo uma fonte que participa das apurações, considera, inclusive, o tráfego de “navios fantasmas”, embarcações criminosas de piratas que poderiam atuar no contrabando de petróleo.

Um estudo realizado pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) aponta que o petróleo que atinge o litoral do Nordeste veio da Venezuela. A informação foi divulgada pela diretora da entidade, a pesquisadora Olivia Oliveira.

“Nossos estudos agroquímicos evidenciam que o óleo é proveniente de uma bacia da Venezuela. Foram diversas análises geoquímicas, a partir da coleta dessas amostras. Esse trabalho realmente revelou que se trata de um petróleo produzido na Venezuela”, afirmou Olivia.

Apesar da afirmação dos pesquisadores, o governo de Nicolás Maduro nega que a Venezuela é responsável pelo petróleo que atinge as praias do litoral nordestino. Conforme o comunicado, não há evidências de vazamentos de petróleo nos campos de petróleo da Venezuela que possa ter causado danos ao ecossistema do Brasil.

De acordo com a diretora do Instituto da UFBA, o resultado que comprova a nacionalidade do resíduo foi encontrado após diversos testes comparativos com sete amostras coletadas em Sergipe e duas na Bahia.

“Nós temos diversos dados da literatura onde mostram perfis cromatográficos, resultados que nós produzimos no laboratório. Além disso, nós temos um banco de óleo de diversas partes do mundo, que também fazemos essa comparação. Através de análises como essas, chegamos ao resultado”, disse.

Segundo a pesquisadora, os dados apontam também que a substância se assemelha com petróleo cru. Ainda não há informações, no entanto, de quanto tempo o resíduo está no mar, nem se é proveniente de um navio ou não.

“Se parece muito com petróleo cru. Mas não deixamos a possibilidade de ser bunker, combustível de navio. Seria um óleo mais pesado. Um óleo mais de resíduo. Mas ainda não temos a real certeza. O óleo apresentava uma certa degradação. Pode ser um óleo cru, como poderia ser bunker, onde a parte crua, onde a parte do diesel que é utilizada com esse bunker foi evaporada”, completou a diretora.

Mas, afinal, do que se trata o termo “acidente ambiental”?

Conceitua-se como acidente ambiental um evento não previsível, capaz de, direta ou indiretamente, causar danos ao meio ambiente ou a saúde humana, como vazamento ou lançamento inadequado de substâncias (gases, líquidos ou sólidos) para a atmosfera, solo ou corpos d’água, incêndios florestais ou em instalações industriais.

Em situações de acidentes ambientais é necessária a coleta de amostras para a avaliação do dano ambiental, possibilitando o desenvolvimento de ações para a recuperação ambiental e responsabilização dos causadores do acidente.

Principais acidentes ambientais no Brasil

Dentre os acidentes ambientais mais importantes da história do país está a contaminação pelo material radioativo Césio 137. Um dos mais graves casos de exposição à radiação do mundo, o caso ocorreu em Goiânia (GO), em setembro de 1987. Dois catadores de lixo arrobaram um aparelho radiológico nos escombros de um antigo hospital, onde encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul quando no escuro. Sem saber o altíssimo teor radioativo do material, os catadores o levaram a outros pontos da cidade.

De mão em mão, o Césio 137 se espalhou e contaminou pessoas, água, solo e ar. A radiação foi descoberta 16 dias após a primeira exposição, levando a um longo e trabalhoso processo de descontaminação. Pelo menos quatro pessoas morreram devido à exposição, e centenas de outras desenvolveram doenças por causa do contato com o Césio 137. Em 1996, a Justiça condenou, por homicídio culposo, três sócios e um funcionário do hospital abandonado a três anos e dois meses de prisão. Porém, as penas foram trocadas por prestação de serviços voluntários.

Em um acidente mais recente, em novembro de 2011, foi a vez do petróleo causar estragos ambientais sérios na Bacia de Campos, na região Norte do estado do Rio de Janeiro. Um vazamento ocorrido no campo de Frade, uma área de exploração petroleira offshore (em águas profundas) gerou o vazamento de milhares de litros de petróleo no mar, provocando um dos maiores acidentes deste tipo no país.

Estima-se que a mancha provocada pelo vazamento no mar tenha chegado a 162 km², o equivalente a metade da Baía de Guanabara. Foram acumulados na área de em 3,7 mil barris de petróleo. Especialistas registraram uma grande quantidade de animais mortos nas áreas afetadas pela mancha e décadas serão necessárias até que o habitat marinho local se restabeleça.

Em setembro de 2013, a empresa americana Chevron , responsável pela perfuração do poço que vazou, foi condenada a pagar uma indenização de R$95 milhões ao governo brasileiro para compensar os danos ambientais causados.

Reconhecimento da Situação e Segurança 

Ao chegar ao local do acidente, antes de iniciar a coleta de amostras é importante estudar a situação para não colocar a vida ou a saúde em risco. Verificar com a Defesa Civil com qual produto se defrontará, se há perigo de explosão, intoxicação ou contaminação. É imprescindível que se siga as instruções destes profissionais, pois eles estão treinados para enfrentar situações deste tipo.

Seja qual for o produto, jamais fumar no local. Uma vez identificado o produto, vestir o equipamento de segurança adequado. Em algumas situações ele pode se mostrar desconfortável, mas é fundamental para garantir a integridade física do profissional.

Preparação dos Equipamentos e Materiais

Todos os equipamentos e materiais necessários ao atendimento a acidentes ambientais devem estar previamente preparados para que a equipe consiga chegar rapidamente ao local do acidente. A falta desta preparação prévia pode fazer com que equipamentos e materiais fundamentais à segurança do amostrador ou à execução dos trabalhos sejam esquecidos, causando dificuldades adicionais na coleta das amostras ou na preparação dos processos para a responsabilização dos infratores.

Todos os equipamentos devem estar reunidos e preparados em um espaço próprio do escritório, onde possa ser rapidamente apanhado. Para facilitar, a tabela de equipamentos e material necessários, a seguir, relaciona os principais equipamentos e materiais necessários para o atendimento à acidentes ambientais e pode ser utilizada como check-list.

  • Em casos absolutamente excepcionais, em que no momento do acidente o escritório não possua caixas de coleta previamente preparadas pelos laboratórios do IAP, poderão ser utilizados como frascos de coleta, recipientes limpos de água mineral (compre a garrafa de água, esvazie e utilize).
  • É necessária a coleta de no mínimo 3 litros em cada ponto de amostragem. Portanto, são necessários pelo menos 3 recipientes de 3 litros ou 6 de 1,5 litro.
  • O acondicionamento pode ser feito em caixas de isopor, preservadas com gelo.
  • Não deve ser usado gelo seco, pois causará o congelamento da amostra.
  • É importante levar barbante ou corda fina para amarrar bem a tampa da caixa de isopor.

A relação do homem com a natureza em um país com dimensões continentais como o Brasil, os acidentes ambientais merecem atenção redobrada. Tanto medidas para evitar contaminações quanto para prever e minimizar os efeitos de grandes eventos naturais precisam cada vez mais fazer parte das políticas governamentais. Um desafio que requer conhecimento, legislação específica, profissionais capacitados, tecnologia e, principalmente, consciência ambiental.


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Engenheira Ambiental e Sanitarista, formada pela UFLA. Ex bolsista de Graduação Sanduíche em Engenharia Civil e Ambiental pela SIU campus Carbondale. Pós graduanda em Direito Ambiental à nível de Especialização pela UFPR.