Como criar um Programa de ESG

7 passos para estruturar um programa de gestão em ESG

No momento em que estamos lidando com o período de preparação para o mundo pós pandemia, a sigla ESG tomou os holofotes do mundo da gestão e dos investimentos. Diante de tantas dificuldades vividas, seja pelos acionistas ou pelas empresas em si esse nome vem para mostrar um pouco mais do que responsabilidade pelos lucros das empresas, mas principalmente a responsabilidade por todo seu entorno e cadeia.

Diversos bancos de investimentos já criaram carteiras direcionadas a excelência em ESG, nas quais o investidor tem por opção investir em empresas que apresentam de forma clara suas ideias e políticas, a fim de manter uma agenda sólida ligada a sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa.

Se a sua empresa ainda não entrou nessa nova onda, seguem abaixo sete passos que irão auxiliar sua empresa a entrar nessa promissora jornada, rumo a um mundo corporativo de maior autorresponsabilidade e menor surpresa.

 

Passo 1: Tenha em mente um programa específico de trabalho

Se existe algo que pode direcionar uma agenda sólida em ESG é o fato de existir um programa muito claro dos objetivos traçados pela empresa. Mudanças nesse mercado ocorrem o tempo todo e aqueles que desviam o foco toda vez que uma novidade aparece, perdem fôlego e a agenda começa a perder o sentido. Um programa de trabalho específico, precisa ter uma definição clara de objetivos onde a empresa deseja chegar. Se a empresa resolveu estabelecer uma meta macro para cada um dos pilares do ESG, tenha em mente que essas serão comunicadas, informadas e jamais redirecionadas (a não ser que percam realmente o sentido da aplicação). Essas metas devem ser SMART (Específica, mensurável, realizável, relevante e temporal) para garantir tanto o sentido quanto o engajamento dos envolvidos e ainda devem ser revisitadas com frequência sob o objetivo de manter-se com números atualizados. Somente dessa forma o programa ESG da empresa estará alinhado a necessidade de manter o foco e obter as melhorias necessárias.

 

Passo 2: Crie uma política alinhada a sua visão e valores

A política da empresa é uma forma de explicitar claramente suas diretrizes. Uma agenda ESG precisa ter políticas muito alinhadas aos objetivos e principalmente ao que se acredita dentro dos bastidores da empresa. Existem muitas e muitas empresa que criam políticas bonitas e cheias de marketing agregado, mas que na verdade nada tem a ver com o DNA da empresa, portanto a política deve ser muito estudada para que esteja de acordo com o que os funcionários entendem que a empresa tem como valor. Se sua empresa não tem qualquer frente de trabalho objetivada aos pilares do ESG, está na hora de criar um ponto de ruptura, ou sua política cairá em descrédito assim que criada e perderá a força.

 

Passo 3: Defina focal points para cada pilar do ESG

Uma empresa que quer ser reconhecida pela sua agenda ESG, necessita ter ao menos um focal point em cada um dos pilares (Ambiental, social e de governança). Eles devem ser os agentes orientadores e que acompanharão a evolução dos programas ligados a sua atividade. Uma agenda positiva em ESG precisa estar muito bem alinhada aos seus pilares de forma igualitária e com isso, necessita que tenham pessoas colocando esse fator em pauta o tempo todo, ou então eles cairão em esquecimento ou perderão qualidade.

 

Passo 4: Faça um brainstorm completo para compilar os riscos existentes

Os riscos ligados ao ESG existem em qualquer lugar, independentemente do ramo de atuação da sua empresa. Trabalhar para mitigar e eliminar riscos é um conceito base para empresas que querem destacar-se em ESG. Para que seja possível obter o Máximo de informações quanto aos riscos e criar planos de ação relevantes, é importante a realização de um brainstorm de grande porte, onde quanto mais pessoas presentes, melhor. Gerar um programa com muitos riscos elencados, ajudará a empresa a minimizar os impactos destes e ainda a criar os planos de ação e prioridade que irão nortear sua atuação. As áreas de governança, Responsabilidade Social e ambiental, são de alta sensibilidade quanto a riscos corporativos, portanto um inventário bem realizado é um investimento para minimizar grandes problemas no futuro e ainda aumentar sua credibilidade perante os acionistas.

 

Passo 5: Crie uma priorização dos riscos inventariados

O inventário realizado pela empresa mostrará exatamente que riscos devem ser tratados como prioridade. Eles devem ser aqueles em que a empresa precisará colocar na frente de todas as outras demandas para garantir os resultados esperados. Muitos riscos irão surgir no brainstorm, portanto é necessário criar uma escala de priorização dividida em três, quatro ou até mesmo em cinco etapas para tornar o programa mais funcional e dinâmico. Caso tenha dificuldades em elencar os riscos, utilizar-se da avaliação 80/20 pode ser útil, onde 80% dos potenciais problemas são efeitos gerados por 20% dos riscos inventariados.

 

Passo 6: Pessoas, processos e sistemas de gestão

Entendo esse passo como um dos mais importantes. Pessoas, processos e sistemas de gestão são colunas base para qualquer resultado. Estes três fatores devem ser levados a risca na implementação da agenda ESG e a cautela para que estejam em pleno funcionamento é necessidade básica. Existem muitas frentes de trabalho que vem a ruir rapidamente por deixar algum dos três pilares de lado, ou até mesmo por focar somente em um deles. Independentemente disso, todos precisam de um padrão igualitário de prioridade para que não haja interferência negativa no resultado do programa por conta de algum desses fatores. As pessoas são o recurso mais variável e por isso precisam de atenção especial, os processos são os fluxos obrigatórios e sempre passam por alterações, revisões e ajustes e os sistemas de gestão são as grandes resistências que suportam a melhoria de forma organizada e padronizada. Trabalhar nas três frentes de trabalho é a forma mais alinhada de manter o programa ESG funcionando de forma sustentável.

 

Passo 7: Resultados

A gestão dos resultados também requer uma atenção especial. É muito comum vermos empresas se destacando em algum dos pilares ESG e pouco tempo depois, tendo que lidar com escândalos ambientais, sociais ou até mesmo de corrupção. A demanda criada no mercado quanto a ESG é justamente uma forma de mostrar como os investidores podem conhecer um pouco da agenda positiva das empresas e assim apostar suas fichas em algo mais “Seguro”. Algumas, ainda acreditam na divulgação de resultados antes mesmo de acontecer, ou então, apresentam uma agenda que não está enraizada no DNA da companhia e tudo isso, pode em um momento ou outro tornar-se um golpe revertido pela falta de sustentação do programa. Os resultados em ESG precisam ser reais, coordenados e acima de tudo fruto de um programa sólido que não dependerá de muitos esforços adicionais para ser mantidos. Programas de trabalho desse tipo, precisam de uma cultura presente e para isso se faz necessário dar um passo de cada vez.

Além disso, uma preocupação que deve existir por parte das empresas são os resultados que na área ambiental principalmente, são gerados por demandas do tipo Greenwashing (falsos resultados ou programas). Esse tipo de atividade está o tempo todo presente, por empresas que fazem marketing daquilo que não fizeram, ou propagandas daquilo que “Não é bem o que está escrito”. Portanto, o mais importante dos resultados é que estes sejam verdadeiros, porque resultados são consequências de trabalhos realizados de forma exemplar.

As agendas e métricas de ESG ainda são pouco exatas e a falta de padronização ainda impede o investidor de evitar ciladas pelo caminho. Mas as empresas que desejam criar uma carteira sólida e que realmente querem que isso ocorra de forma sustentável precisam seguir os passos acima de forma fiel e ainda entender que esse não é só mais um programa e sim um plano que acompanhará a empresa para o resto de seus dias.


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Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em Educação, Saúde e Segurança do Trabalho, Sustentabilidade Empresarial e MBA em Gestão Empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, na qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e “Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvimento pessoas”, e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão, sustentabilidade, gestão empresarial e corporativa em revistas e páginas técnicas na área.